O que é reiki e para que serve

Há um momento que quem já recebeu reiki reconhece imediatamente. É quando o corpo simplesmente larga. Não é sono, não é distração. É qualquer coisa mais funda do que isso, uma rendição involuntária, como se algo que estava contido há demasiado tempo finalmente encontrasse permissão para soltar. Algumas pessoas choram, sem saber bem porquê. Outras adormecem a meio da sessão. Outras ainda ficam em silêncio e levantam-se a sentir-se diferentes, sem conseguir explicar exatamente o quê.

Se nunca experimentou reiki mas sente curiosidade, ou se já ouviu falar mas não percebeu bem o que é, este artigo foi escrito para si. Não para convencer, mas para apresentar com honestidade o que é esta prática, de onde vem, como funciona e o que pode fazer por si.

O que é o reiki

Reiki é uma terapia energética de origem japonesa que usa a imposição das mãos, sobre ou perto do corpo, para equilibrar e restaurar o fluxo de energia vital. A palavra combina dois caracteres japoneses: rei, a energia universal, e ki, a energia vital individual de cada ser. Juntos, formam o princípio central da prática: a energia vital que nos anima e que pode ser restaurada quando está em desequilíbrio.

A ideia de que existe uma força vital que percorre o corpo e pode ser trabalhada terapeuticamente não é exclusivamente japonesa. Os chineses chamam-lhe chi, os hindus chamam-lhe prana, os tibetanos têm o seu próprio sistema. É um reconhecimento presente em praticamente todas as grandes tradições de cura do mundo: quando esta energia flui livremente, o corpo tem capacidade de se equilibrar e regenerar. Quando está bloqueada, surgem o cansaço, a tensão, a dor, o desequilíbrio emocional.

O reiki atua exatamente nesse nível. Não trata sintomas de forma isolada, não trabalha só o corpo ou só a mente. Trabalha o ser humano como um todo, porque é assim que a energia funciona: não conhece fronteiras entre o físico, o emocional e o espiritual. Quando um desequilíbrio emocional se instala durante demasiado tempo, o corpo físico acaba por sentir. O reiki percebe isso.

A história: Mikao Usui e o Monte Kurama

O reiki como sistema foi desenvolvido por Mikao Usui, nascido em 1865 na aldeia de Taniai, no Japão. Era um estudioso com formação budista que desde jovem explorou práticas energéticas orientais. O que o impulsionou a ir mais longe foi um problema que encontrou no Kiko, a arte japonesa de trabalhar a energia vital: curar outros através da transferência de energia própria deixava o praticante exausto e desvitalizado. Era como dar de si o que precisava para si.

Usui procurou durante anos uma forma de canalizar energia universal sem depender da própria reserva vital. A resposta chegou em março de 1922, após um retiro de 21 dias no Monte Kurama, uma montanha sagrada a norte de Kyoto, onde praticou meditação, jejum e oração. Nesse retiro, descreveu uma experiência de iluminação que lhe revelou como usar a energia universal para a cura sem se desvitalizar. Dois meses depois fundou em Tóquio a sua associação, onde atendia e ensinava.

Usui faleceu em 1926, mas o seu legado continuou através dos seus alunos. O médico Chujiro Hayashi aprofundou o trabalho clínico da prática, e foi através dele que Hawayo Takata, uma mulher havaiana de origem japonesa, aprendeu reiki e o trouxe para o Ocidente em 1938. Sem Takata, é provável que o reiki nunca tivesse chegado à Europa. A associação original fundada por Usui continua em funcionamento em Tóquio até hoje.

Como funciona: o que acontece numa sessão

Uma sessão começa com uma breve conversa. O terapeuta quer saber o que traz, não num sentido clínico, mas num sentido humano: onde sente tensão, o que está a trabalhar interiormente, que intenção quer colocar na sessão. Pode ser algo muito concreto, como dor nas costas ou ansiedade com o trabalho. Pode ser algo mais difuso, como a sensação de que algo não está bem mas não consegue nomear.

Depois desta conversa, deita-se numa maca, totalmente vestida. O ambiente é calmo, com luz suave e silêncio. O terapeuta começa a posicionar as mãos em pontos específicos do corpo, seguindo uma sequência que percorre os sete chakras, desde a coroa da cabeça até à base da coluna. As mãos pousam suavemente sobre o corpo ou ficam a poucos centímetros, sem pressão.

O terapeuta não usa a própria energia. Funciona como um canal que conduz a energia universal em direção a quem recebe. É aqui que o reiki se distingue de outras formas de trabalho energético: quem aplica não se desgasta, porque não está a dar de si. Está a abrir um caminho para que a energia que já existe em todo o lugar chegue a quem precisa dela.

Durante a sessão, as sensações variam de pessoa para pessoa. Calor ou formigueiro nas áreas onde as mãos se posicionam. Um relaxamento que não é sono mas é mais profundo do que o que costuma sentir acordada. A libertação espontânea de emoções, que pode surgir como choro, como um suspiro longo, como uma leveza repentina. Às vezes nada de especialmente dramático, apenas uma calma que não sentia há muito tempo.

Uma sessão dura entre 45 minutos e uma hora. Para trabalhar questões mais profundas, o ideal é um ciclo inicial de quatro sessões com intervalos de uma a duas semanas, para dar tempo ao campo energético de se reorganizar entre cada aplicação.

Os cinco princípios do reiki

Usui deixou mais do que uma técnica. Deixou uma filosofia de vida condensada em cinco princípios que são a base ética da prática, pensados para serem repetidos como intenção diária:

  • Apenas por hoje, não te irritarás.
  • Apenas por hoje, não te preocuparás.
  • Apenas por hoje, serás grata.
  • Apenas por hoje, trabalharás com dedicação.
  • Apenas por hoje, serás gentil para todos os seres vivos.

O "apenas por hoje" é deliberado. Não pede um compromisso eterno, que seria esmagador. Pede apenas que, neste dia, se escolha a paz em vez da raiva, a presença em vez da ansiedade, a gratidão em vez da lamentação. É uma forma de viver que começa numa sessão mas pode estender-se muito para além dela. Muitas pessoas que começam a receber reiki acabam por incorporar estes princípios no seu dia a dia, e é aí que a transformação se torna duradoura.

Para que serve o reiki

O reiki não cura doenças no sentido médico do termo, e qualquer terapeuta sério será o primeiro a dizê-lo. O que faz é criar as condições para que o seu próprio corpo encontre o equilíbrio que lhe é natural. Não é o reiki que cura, é o seu sistema a recuperar a sua capacidade de autocurar, com o reiki a abrir o caminho para que isso aconteça. Esta distinção não diminui o que a prática oferece, pelo contrário, torna-a mais honesta e mais poderosa.

As áreas em que esta terapia tem mostrado resultados consistentes incluem:

Stress e ansiedade. É aqui que os efeitos são mais imediatos e mais sentidos por quem recebe. O estado de relaxamento profundo que o reiki induz ativa a parte do sistema nervoso responsável pelo descanso e pela recuperação, contrariando o estado de alerta crónico em que tantas pessoas vivem. Sessões regulares têm mostrado reduções consistentes nos níveis de ansiedade e melhoria significativa da qualidade do sono.

Dor física. Vários estudos com doentes oncológicos documentaram reduções na perceção de dor com sessões regulares de reiki. Não substitui analgésicos nem tratamentos médicos, mas pode complementá-los de forma significativa, especialmente em dores crónicas ou em contextos em que a componente emocional está relacionada com a dor física.

Equilíbrio emocional. Quem passa por períodos de luto, de separação, de transição profissional ou de esgotamento emocional frequentemente descreve o reiki como uma âncora. Não porque resolva a situação exterior, mas porque devolve o acesso a um centro interior que o caos do dia a dia torna difícil de encontrar.

Apoio em contexto de doença. Hospitais em vários países, incluindo o Brigham and Women's Hospital em Boston e o Addenbrooke's em Cambridge, integram o reiki nos seus programas de medicina integrativa, especialmente em oncologia. O foco é o bem-estar do doente e a gestão dos efeitos secundários do tratamento, não a cura da doença em si.

Sono. Pessoas com insónia ligada a stress ou a estados de hiperativação mental relatam melhorias perceptíveis após ciclos de reiki, com um sono mais profundo e uma maior facilidade em desligar ao fim do dia.

O reiki à distância

Uma das características do reiki que mais questões levanta é a possibilidade de uma sessão ser feita à distância, sem presença física. Para quem se aproxima pela primeira vez, pode parecer difícil de compreender. Para quem trabalha com energia, é simplesmente uma das formas naturais de o fazer.

A energia não tem as mesmas limitações do espaço físico. O terapeuta estabelece uma conexão intencional com o consulente através de técnicas e símbolos específicos aprendidos em níveis avançados da prática, e canaliza a energia a distância. O consulente, num momento acordado previamente, recebe a sessão onde estiver, com os mesmos efeitos que uma sessão presencial.

Para muitas pessoas, o reiki à distância é a forma mais prática de aceder a esta terapia. A vida não permite sempre deslocações, e a energia não precisa delas.

Os níveis do reiki

O reiki pode ser recebido sem qualquer formação, mas também pode ser aprendido e integrado na vida quotidiana. O ensino divide-se em níveis, cada um aprofundando a capacidade de trabalhar com a energia.

Nível I é a iniciação base. Aprende-se a história, os princípios e as posições das mãos, e começa-se a praticar sobre si própria e em pessoas próximas. O foco é o corpo físico e o equilíbrio imediato.

Nível II introduz os símbolos do reiki, ferramentas que amplificam e dirigem a energia. É neste nível que se aprende a realizar sessões à distância e a trabalhar com as dimensões emocional e mental.

Nível III é o nível de mestre. Quem chega aqui não só aprofunda a prática pessoal como adquire a capacidade de iniciar outros. É um compromisso de vida.

Em cada nível, o mestre realiza uma sintonização, um processo de abertura dos canais energéticos do aprendiz que lhe permite canalizar reiki a partir desse momento. Esta capacidade não se perde, desenvolve-se com a prática.

Reiki não é religião

Importa dizê-lo com clareza: o reiki não está ligado a nenhuma religião, nenhuma doutrina e nenhuma crença específica. Pode ser recebido por pessoas de qualquer fé, ou por pessoas sem qualquer orientação espiritual. O que pede não é crença, é apenas abertura para receber.

Ao longo da sua história de difusão, o reiki foi apresentado em diferentes contextos culturais com roupagens diferentes. Mas a sua essência é independente de qualquer sistema religioso. Os cinco princípios de Usui são universais na sua sabedoria e não pertencem a nenhuma tradição específica.

O reiki com outras terapias

O reiki integra-se naturalmente com outras práticas, sem criar interferências. É precisamente essa neutralidade que o torna tão versátil.

Com a limpeza de chakras, o reiki potencia o desbloqueio dos centros energéticos, porque partilham a mesma base conceptual sobre o fluxo de energia no corpo. Usados em complementaridade, criam um trabalho energético mais completo e duradouro.

Com a meditação guiada, o reiki e a meditação reforçam-se mutuamente. Enquanto o reiki trabalha o campo energético de fora para dentro, a meditação trabalha a atenção de dentro para fora. Juntos, criam um espaço de equilíbrio difícil de alcançar com uma prática isolada.

Com tratamentos médicos convencionais, o reiki nunca compete. Complementa, apoia, suaviza efeitos secundários, e oferece ao sistema nervoso os estados de calma que o corpo precisa para regenerar.

O que esperar da sua primeira sessão

Se nunca recebeu reiki, é natural não saber bem o que vai sentir. A verdade é que cada pessoa tem uma experiência diferente, e a mesma pessoa pode ter experiências muito distintas de sessão para sessão, consoante o que está a trabalhar interiormente.

O que pode antecipar: uma hora para si própria, sem telemóvel, sem obrigações, sem mais nada para fazer além de receber. Um estado de relaxamento que provavelmente não sente com tanta profundidade no seu dia a dia. E, muito frequentemente, uma sensação de leveza ao sair que fica por horas ou dias depois.

Chegue bem hidratada e com roupas confortáveis. Se tiver algo específico que quer trabalhar, diga ao terapeuta antes de começar. Se não tiver uma pergunta definida, a intenção de simplesmente abrir espaço para o equilíbrio é suficiente. O reiki encontra o que precisa de ser trabalhado, mesmo quando ainda não sabe nomeá-lo.

Depois da sessão, beba água, descanse se puder, e dê ao seu sistema o tempo de processar o que foi movido. O trabalho não termina quando a sessão acaba.

Os especialistas em terapias holísticas da Consultas Divinas trabalham com reiki presencialmente e à distância. Se tiver dúvidas sobre como funciona o processo, pode consultar o guia em Como Consultar.

Perguntas frequentes sobre o reiki

O reiki tem efeitos secundários? Não existem efeitos adversos conhecidos. Nas primeiras sessões, algumas pessoas passam por um período transitório de maior intensidade emocional, cansaço ou necessidade de dormir mais. Não é negativo, é o campo energético a ajustar-se. Passa habitualmente em 24 a 48 horas.

Preciso de acreditar no reiki para que funcione? Não. A abertura facilita a consciência da experiência, mas não é um requisito para que a energia trabalhe. Pessoas céticas têm sessões com efeitos tão reais como os de quem chegou com plena confiança.

Posso fazer reiki se estiver grávida? Sim, com os cuidados adequados. O reiki é considerado seguro durante a gravidez, e muitas mulheres relatam benefícios ao nível da ansiedade e do bem-estar geral. Informe sempre o terapeuta do estado de gravidez antes da sessão, e comunique ao seu médico qualquer terapia complementar que esteja a considerar.

Quantas sessões são necessárias? Depende do que procura. Para relaxamento pontual, uma sessão pode fazer diferença. Para trabalhar ansiedade crónica, dor persistente ou desequilíbrios emocionais mais profundos, recomenda-se um ciclo inicial de quatro sessões. Muitas pessoas optam por sessões regulares de manutenção, quinzenais ou mensais, como parte de um cuidado continuado consigo próprias.

O reiki é religião? Não. É uma terapia energética independente de qualquer crença religiosa ou espiritual específica. Pode ser recebido por qualquer pessoa, independentemente da sua fé ou da ausência dela.

Conclusão

O reiki é uma das terapias mais antigas e mais amplamente praticadas no mundo, e por uma razão simples: funciona. Não de forma milagrosa, não em substituição de nada, mas como uma forma genuína de restaurar o equilíbrio que o ritmo da vida moderna insiste em perturbar.

Se sente que o seu corpo carrega mais do que deveria, que as emoções estão presas onde deveriam estar a fluir, ou que simplesmente precisa de uma hora em que alguém cuida de si, o reiki pode ser exatamente o que está a procurar. As cartas estão abertas. A energia está disponível. O próximo passo é seu.