Velas na espiritualidade: cores, significados e como usar em rituai

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A Sofia guarda, na gaveta da mesinha de cabeceira, um pequeno conjunto de velas de cores diferentes que a avó lhe deixou. Nunca tinha percebido bem porque razão a avó escolhia sempre uma cor específica para cada ocasião, uma vela branca antes de uma decisão importante, uma amarela quando alguém da família precisava de sorte no trabalho, até que, já adulta e a atravessar um período particularmente incerto da vida, decidiu finalmente procurar entender o que estava por trás daquele hábito silencioso que via a avó repetir desde criança, sempre com a mesma calma e a mesma atenção que agora reconhece como algo bem mais profundo do que apenas um costume de família.

Poucos objetos atravessam tantas tradições espirituais diferentes como a vela. Presente em igrejas, em terreiros, em altares domésticos e em momentos de recolhimento pessoal, a chama tem, para praticamente todas as culturas humanas, um significado que ultrapassa a sua função prática de iluminar um espaço escuro. Mas o que representa, exatamente, acender uma vela com intenção espiritual, que cores existem e o que cada uma significa, e como usar esta prática simples com segurança e com respeito.

Velas de várias cores acesas sobre uma superfície escura, simbolizando rituais espirituais com intenção

O que representa uma vela dentro da tradição espiritual

Antes de explorar cores e significados específicos, vale a pena compreender porque razão o fogo, em particular, ocupa um lugar tão central em praticamente todas as tradições espirituais humanas.

O fogo é, entre os quatro elementos clássicos, aquele que mais diretamente representa a transformação: consome o que já não serve, ilumina o que estava escuro, e aquece o que estava frio. Acender uma vela é, simbolicamente, invocar esta mesma capacidade de transformação para dentro de um espaço ou de uma intenção específica, um gesto pequeno na sua execução mas carregado de um significado que atravessa milénios de prática humana, desde as fogueiras rituais das civilizações mais antigas até à vela discreta acesa hoje sobre uma mesa de cabeceira, num quarto silencioso, sem qualquer testemunha para além de quem a acendeu.

A chama tem ainda uma qualidade particular que nenhum outro elemento consegue replicar da mesma forma: move-se, vacila, responde ao ar à sua volta, e ao mesmo tempo mantém-se, enquanto arde, notavelmente constante na sua forma. Esta combinação de movimento e de permanência é, para muitas tradições espirituais, uma metáfora viva da própria alma humana, sempre em transformação mas mantendo, ao longo dessa mudança constante, uma essência reconhecível e contínua, algo que permanece verdadeiramente ela mesma apesar de todas as circunstâncias que a rodeiam e que a atravessam ao longo do tempo. Não é por acaso que praticamente todas as culturas humanas, independentemente da distância geográfica ou histórica entre elas, desenvolveram algum tipo de ritual associado ao fogo e à luz.

A origem antiga desta prática

O uso ritual de velas e de chamas não é uma invenção recente, nem exclusiva de uma única tradição espiritual, mas antes uma prática que se desenvolveu de forma paralela em culturas separadas por continentes inteiros.

No Antigo Egito, chamas e óleos ardentes eram usados em templos como oferenda aos deuses e como forma de manter viva a presença divina durante a noite. Na tradição judaica, o acender de velas continua a marcar momentos centrais do calendário religioso, do Shabat semanal às oito noites de Chanucá. No hinduísmo, a diya, uma pequena lamparina de óleo, ocupa um papel central em praticamente todos os rituais domésticos, e a festividade do Diwali é conhecida precisamente como o festival das luzes, uma celebração inteira dedicada à vitória simbólica da luz sobre a escuridão. No budismo, oferecer luz diante de uma imagem sagrada é considerado um dos gestos mais meritórios que um praticante pode realizar, associado simbolicamente à dissipação da ignorância e ao despertar da sabedoria interior.

No cristianismo, a vela tornou-se um símbolo tão central que atravessou séculos de prática litúrgica quase sem alteração, associada à oração, à memória dos mortos e à presença espiritual dentro dos espaços de culto. As velas votivas, acesas diante de imagens de santos em igrejas por todo o mundo, incluindo em praticamente todas as igrejas portuguesas, continuam esta mesma tradição milenar de associar a chama a um pedido ou a uma gratidão dirigida ao plano espiritual.

Nas religiões de matriz africana chegadas ao Brasil, como o Candomblé e a Umbanda, as velas ocupam um lugar igualmente central, associadas a orixás específicos, a cores particulares e a propósitos bem definidos dentro do ritual. Em Portugal, o hábito de acender uma vela por alguém que morreu, ou como pedido de proteção, atravessa gerações de prática popular, muitas vezes sem que quem a pratica saiba nomear com precisão a sua origem histórica exata, transmitida de mães para filhas ao longo de décadas, quase sempre sem qualquer explicação verbal detalhada sobre o porquê de cada gesto específico. Esta transversalidade cultural é, em si mesma, reveladora: sugere que existe algo na experiência humana de acender uma chama com intenção que responde a uma necessidade espiritual praticamente universal, independente do sistema de crenças específico dentro do qual essa necessidade é depois interpretada e nomeada.

As cores das velas e o que cada uma costuma representar

Dentro da tradição espiritual contemporânea, cada cor de vela está associada a um propósito específico, embora estas associações variem ligeiramente consoante a tradição e a linhagem particular que se segue.

A vela branca é, dentro desta tradição, a mais versátil e a mais neutra de todas, associada à pureza, à proteção geral e à purificação, e frequentemente recomendada a quem está a começar a explorar este tipo de prática, precisamente pela sua amplitude de aplicação e pela ausência de qualquer contraindicação simbólica. Pode substituir, em caso de dúvida ou de indisponibilidade, praticamente qualquer outra cor, já que representa, dentro de muitas tradições, a síntese de todas as restantes.

A vela vermelha está associada à paixão, à força e à vitalidade, sendo frequentemente usada em pedidos ligados ao amor, à coragem ou ao aumento de energia pessoal. A vela amarela, ou dourada, está ligada à prosperidade, ao sucesso profissional e à clareza mental, uma escolha comum para quem procura reforçar uma intenção relacionada com o trabalho ou com os estudos. A vela verde costuma ser associada à saúde, ao crescimento e à abundância financeira, enquanto a vela azul representa a calma, a comunicação e a cura emocional, sendo particularmente indicada para momentos de meditação ou de recolhimento mais profundo.

A vela rosa está ligada ao amor próprio, à amizade e à harmonia nas relações pessoais, distinguindo-se da vela vermelha por representar um afeto mais suave e mais ligado ao cuidado do que à paixão intensa. A vela laranja simboliza entusiasmo, criatividade e motivação, sendo por vezes usada em momentos que pedem coragem para iniciar algo novo. A vela roxa está associada à espiritualidade mais profunda, à intuição e à transformação pessoal, sendo frequentemente escolhida para práticas de meditação, de desenvolvimento espiritual ou de introspeção mais intensa.

A vela preta, talvez a mais mal compreendida de todas dentro da cultura popular, não representa dentro desta tradição qualquer intenção negativa, mas sim proteção, encerramento de ciclos e libertação do que já não serve. É frequentemente associada a rituais de desapego emocional e de transformação interior, e o seu uso responsável e consciente distingue-se claramente de qualquer associação sensacionalista que a cultura popular por vezes lhe atribui de forma equivocada. Ainda assim, para quem está a dar os primeiros passos nesta prática, muitos praticantes experientes recomendam começar pelas cores mais neutras e mais amplas, como a branca, a azul ou a amarela, deixando cores mais específicas, como a preta ou a vermelha, para quando já existe mais familiaridade e mais confiança com a prática em geral.

Para intenções mais complexas, que envolvem mais do que um único propósito, alguns praticantes optam por acender mais do que uma vela em simultâneo, cada uma representando uma dimensão distinta da mesma intenção mais ampla. Uma pessoa que procura simultaneamente clareza mental para uma decisão importante e coragem para a executar, por exemplo, pode escolher acender uma vela amarela junto a uma vela vermelha, permitindo que as duas energias trabalhem em conjunto dentro do mesmo ritual. Esta prática, embora mais elaborada do que o uso de uma única vela, mantém o mesmo princípio fundamental já referido: a intenção clara e sincera importa sempre mais do que a complexidade da combinação escolhida.

Conjunto de velas coloridas dispostas em círculo, cada uma representando um propósito espiritual distinto

A relação entre as velas e os dias da semana

Muitas tradições espirituais associam também cada dia da semana a uma energia particular, e recomendam, sempre que possível, alinhar a cor da vela escolhida com o dia em que o ritual é realizado.

A segunda-feira é tradicionalmente associada à vela branca, dedicada à purificação e à harmonia do lar. A terça-feira liga-se à vela vermelha, associada à força e à ação. A quarta-feira costuma associar-se à vela roxa ou laranja, ligada à comunicação e à clareza mental. A quinta-feira é frequentemente dedicada à vela verde ou azul, associada à prosperidade e à expansão. A sexta-feira liga-se habitualmente à vela verde, dedicada à sorte, à saúde e à abundância. O sábado costuma associar-se à vela preta ou azul, ligada à introspeção e à proteção mais profunda. O domingo, por fim, é frequentemente dedicado à vela amarela ou dourada, associada à sabedoria e ao sucesso.

Vale a pena notar que estas correspondências não são regras rígidas e universais, mas antes orientações que diferentes linhagens espirituais adaptam consoante a sua própria tradição específica, com variações reais entre casas e entre praticantes distintos. Para quem está a começar, seguir estas correspondências pode ajudar a criar uma estrutura e um ritmo semanal para a prática, mas a intenção genuína por detrás do gesto importa sempre mais do que a correspondência exata entre o dia e a cor escolhida.

Algumas tradições associam ainda momentos específicos do dia, para além do dia da semana, a diferentes propósitos rituais. O amanhecer é frequentemente associado a intenções de novos começos e de clareza, um momento particularmente propício para velas brancas ou amarelas. O entardecer, por sua vez, costuma ser associado a intenções de encerramento e de reflexão, adequado a velas roxas ou azuis. A meia-noite, embora menos praticável no quotidiano da maioria das pessoas, é tradicionalmente considerada o momento de maior intensidade espiritual para rituais mais profundos, sobretudo os ligados à transformação pessoal e ao desapego.

Para além da cor: o formato e o tipo de vela também importam

Muitas pessoas concentram-se exclusivamente na cor da vela, mas a tradição espiritual atribui também significado ao formato e ao tipo específico de vela escolhida para cada ritual.

As velas lisas e simples, sem qualquer forma especial, são as mais versáteis e as mais indicadas para quem está a começar, adequadas a praticamente qualquer intenção quando combinadas com a cor certa. As velas com nó, reconhecíveis pela sua forma com um laço a meio do corpo, são tradicionalmente associadas ao desfazer de obstáculos e de bloqueios específicos, um formato mais especializado que muitos praticantes reservam para situações concretas de dificuldade persistente, em vez de o usar como prática regular e genérica.

As velas em forma de figura humana, usadas em algumas tradições espirituais para representar uma pessoa específica dentro de um ritual de cura ou de proteção, exigem um conhecimento mais aprofundado da prática e são geralmente reservadas para especialistas com formação específica, precisamente pela complexidade simbólica que este tipo de trabalho envolve. As velas de sete dias, mais altas e envolvidas em vidro, são pensadas para arder de forma contínua durante um período mais longo, adequadas para intenções que a tradição considera precisarem de mais tempo de trabalho energético contínuo do que uma vela comum, que arde apenas durante algumas horas.

O tamanho da vela também carrega, para muitos praticantes, um significado proporcional à intensidade ou à importância da intenção que se pretende trabalhar, embora esta correspondência seja mais uma questão de preferência pessoal e de tradição específica do que uma regra universal e rigidamente estabelecida dentro de todas as linhagens espirituais que trabalham com este tipo de prática.

As velas dentro das tradições afro-brasileiras

Dentro do Candomblé e da Umbanda, as velas ocupam um lugar particularmente estruturado e codificado, associadas de forma específica a cada Orixá e a cada entidade espiritual, para além do significado mais geral já explorado anteriormente neste artigo.

Cada Orixá está tradicionalmente ligado a uma cor de vela específica, que corresponde à cor associada a essa divindade dentro do panteão mais amplo desta tradição. Oxalá, associado à paz e à criação, liga-se à vela branca. Iemanjá, associada às águas e à maternidade, liga-se à vela azul ou branca. Oxum, associada ao amor e à prosperidade, liga-se à vela amarela ou dourada. Estas correspondências não são arbitrárias: refletem a mesma lógica simbólica que atribui a cada Orixá um domínio, um elemento e uma personalidade distintiva dentro desta rica tradição espiritual de origem africana.

Nas casas de terreiro, é também comum acender velas em honra dos guias espirituais e das entidades que trabalham dentro de cada casa específica, um gesto de respeito e de reconhecimento que antecede muitas vezes os próprios rituais mais elaborados. Vale a pena notar que, apesar destas correspondências entre orixás e cores serem amplamente reconhecidas dentro destas tradições, o uso correto e completo destas velas em contexto ritual formal requer sempre o conhecimento e a orientação de alguém iniciado, já que a simples associação de cor não substitui o conhecimento litúrgico mais amplo que sustenta cada prática específica dentro do Candomblé ou da Umbanda.

Como preparar e usar uma vela com intenção

A preparação de um ritual com velas segue, dentro da maioria das tradições espirituais, uma sequência simples mas cuidada, que vale a pena conhecer antes de começar.

Escolher a cor da vela de acordo com a intenção específica que se pretende trabalhar é o primeiro passo, seguido da escolha de um espaço tranquilo, limpo e livre de distrações onde o ritual possa ser realizado com presença e sem interrupções. Alguns praticantes optam por ungir a vela com um óleo essencial antes de a acender, um gesto que a tradição descreve como uma forma de a preparar e de a impregnar com a intenção pessoal antes de a chama ser acesa, embora este passo seja opcional e não essencial ao efeito da prática.

Escrever a intenção num pequeno papel, e colocá-lo debaixo do castiçal ou perto da vela, é outra prática comum, especialmente útil para quem tem dificuldade em manter o foco apenas através do pensamento, e que gosta de dar forma concreta e visível àquilo que, de outro modo, permaneceria apenas como uma ideia solta dentro da mente. Acender a vela com calma, evitando pressa, e dedicar alguns minutos a observar a chama enquanto se mantém o foco mental na intenção, é o momento central de todo o ritual. Não é necessário nenhum discurso elaborado nem qualquer fórmula específica: uma frase simples e sincera, repetida mentalmente ou dita em voz baixa, é suficiente para dar coerência ao gesto.

Deixar a vela arder até ao fim, sempre que a situação e a segurança do espaço o permitam, é a prática mais tradicionalmente recomendada, já que muitas tradições associam o consumo completo da vela à conclusão simbólica do próprio ritual. Quando isto não é possível, por questões de segurança ou de tempo disponível, apagar a vela com cuidado e retomar o ritual noutro momento é uma alternativa perfeitamente válida, sem que isso comprometa o valor simbólico da prática realizada até esse ponto.

Segurança em primeiro lugar: o que ninguém deveria ignorar

Esta é, provavelmente, a secção mais prática e mais frequentemente esquecida quando se fala de rituais com velas, e merece toda a atenção antes de qualquer outra consideração simbólica.

Uma vela acesa é, antes de mais, uma chama viva, e tratar este facto com a seriedade prática que merece é uma forma de respeito, não de desconfiança da prática espiritual em si. Nunca deixar uma vela acesa sem supervisão constante e atenta, mesmo que apenas por alguns minutos, é a regra mais importante de todas, e vale tanto para quem pratica rituais espirituais como para qualquer outra situação doméstica com fogo aceso.

Colocar a vela sempre sobre uma superfície resistente ao calor e completamente estável, longe de cortinas, tecidos, papéis ou qualquer material inflamável, é outra precaução essencial. Manter as velas fora do alcance de crianças e de animais de estimação, e nunca as acender em locais com correntes de ar fortes que possam projetar a chama de forma imprevisível e perigosa, reduz significativamente o risco de acidentes domésticos relacionados com este tipo de prática espiritual caseira. Ter sempre por perto uma forma rápida e eficaz de apagar a vela, como um apagador próprio ou um recipiente com água, é uma precaução simples que muitos praticantes esquecem até ao momento em que mais precisam dela.

Para quem pretende manter a vela acesa durante um período mais longo, ou mesmo durante toda a noite, vale a pena considerar velas em recipientes de vidro fechado, especificamente pensadas para arder de forma mais segura e mais controlada do que uma vela solta sobre um pires ou um prato comum. Nunca queimar velas perto de janelas abertas em dias de vento, e nunca as deixar acesas em quartos onde se vai dormir sem qualquer supervisão, são cuidados adicionais que qualquer pessoa deveria interiorizar antes de incorporar esta prática na sua rotina espiritual regular.

Aparar o pavio a cerca de meio centímetro antes de cada nova utilização é outro cuidado prático frequentemente esquecido, mas que reduz significativamente o risco de uma chama demasiado alta e instável, que consome a vela de forma mais rápida e mais imprevisível do que necessário. Evitar colocar várias velas demasiado próximas umas das outras é também importante, já que o calor acumulado entre chamas próximas pode acelerar a combustão e aumentar o risco de a cera derreter de forma descontrolada, sobretudo em velas mais finas ou mais baixas.

Para quem tem animais de estimação particularmente curiosos ou crianças pequenas em casa, optar por velas em recipientes altos e estreitos, difíceis de alcançar ou de derrubar, é uma precaução adicional que vale a pena considerar antes de incorporar esta prática numa casa com este tipo de dinâmica familiar. Manter sempre uma distância mínima de segurança entre a vela e qualquer prateleira, cortina ou objeto decorativo suspenso é outra verificação simples que evita a esmagadora maioria dos acidentes domésticos associados a este tipo de prática espiritual.

Vale ainda referir que, para quem tem restrições de segurança particularmente rigorosas, como viver num espaço partilhado onde velas não são permitidas, ou ter uma situação de saúde que desaconselhe a exposição a fumo ou a chamas abertas, existem alternativas que preservam parte do simbolismo sem o risco físico associado à chama real. Velas elétricas com efeito de chama, embora não substituam completamente a experiência sensorial e simbólica de uma chama genuína, permitem manter parte do ritual de escolha de cor e de intenção sem o risco associado ao fogo aberto, uma alternativa válida para quem, por qualquer motivo legítimo, não pode ou não deve acender uma chama real em casa.

O que fazer com os restos da vela depois do ritual

Uma dúvida frequente entre quem começa a explorar esta prática é o que fazer com a cera restante e com os pequenos objetos, como o papel com a intenção escrita, depois de o ritual estar concluído.

A tradição espiritual mais comum recomenda descartar os restos de cera com respeito, sem os tratar como lixo comum, muitas vezes envolvendo-os num pano ou num papel antes de os colocar no lixo, ou enterrando-os simbolicamente na terra quando a intenção do ritual estava ligada a um propósito de crescimento ou de enraizamento. Alguns praticantes preferem guardar o papel com a intenção escrita durante algum tempo, revendo-o periodicamente para acompanhar o progresso do que foi pedido, enquanto outros optam por o queimar completamente junto com a vela, como forma de simbolizar a entrega definitiva daquela intenção ao processo espiritual mais amplo em curso.

Não existe uma única forma correta de encerrar este processo, e a variação entre diferentes tradições e diferentes praticantes é considerável. O que a maioria dos praticantes experientes concorda é que este momento final merece a mesma atenção e o mesmo respeito dedicados ao início do ritual, evitando descartar os restos de forma apressada ou descuidada, precisamente porque este gesto de encerramento consciente ajuda a fechar simbolicamente o ciclo iniciado com a chama acesa, dando um sentido de continuidade e de coerência a todo o processo, do primeiro gesto ao último.

Combinar velas com outras práticas espirituais

As velas raramente são usadas de forma completamente isolada dentro da prática espiritual mais ampla, e muitos praticantes combinam este elemento com outras ferramentas e outras práticas para reforçar a intenção trabalhada.

Cristais colocados junto à vela, escolhidos de acordo com a mesma intenção espiritual que motivou a escolha da cor, são uma combinação particularmente comum e particularmente valorizada dentro desta tradição. Um cristal de quartzo rosa junto a uma vela vermelha ou rosa, por exemplo, reforça simbolicamente uma intenção ligada ao amor e às relações pessoais, enquanto um citrino junto a uma vela amarela ou verde reforça uma intenção ligada à prosperidade e à abundância material.

A meditação antes ou depois de acender a vela é outra combinação frequentemente recomendada, criando um espaço de maior recolhimento e de maior clareza mental antes de formular a intenção específica do ritual, um momento de silêncio que prepara a mente e o corpo para aquilo que se segue. Incenso e defumação são também combinados com frequência, criando uma atmosfera sensorial mais completa que envolve não apenas a visão, através da chama, mas também o olfato, através do aroma libertado durante a queima. Esta combinação multissensorial ajuda muitos praticantes a aprofundar o seu estado de presença durante o ritual, tornando a experiência mais imersiva e mais fácil de sustentar ao longo dos minutos que o ritual costuma durar.

Vale a pena notar que, apesar destas combinações serem comuns e amplamente recomendadas, uma vela usada isoladamente, sem qualquer elemento adicional, continua a ser uma prática espiritual completa e válida por si só, sem que isso a torne, de alguma forma, inferior ou incompleta. A complexidade da combinação não determina, dentro desta tradição, a eficácia simbólica do ritual realizado.

Erros comuns e mal-entendidos sobre esta prática

Ao longo dos anos, a popularização desta prática deu origem a algumas ideias que se afastam da tradição espiritual mais equilibrada, e vale a pena esclarecer algumas das mais frequentes.

"Quanto mais velas acender, mais forte é o pedido" é um dos mitos mais comuns, e um dos que menos corresponde à tradição espiritual mais séria. A quantidade de velas acesas não substitui a qualidade da intenção com que o ritual é realizado. Uma única vela, acesa com presença genuína e com foco claro, tem, dentro desta tradição, muito mais valor simbólico do que várias velas acesas de forma apressada ou distraída.

Outro erro comum é acreditar que a cor errada invalida completamente o ritual, uma ideia que gera ansiedade desnecessária em quem está a começar. Na ausência da cor idealmente associada a uma intenção específica, a vela branca pode sempre ser usada como substituta válida, precisamente pela sua natureza mais neutra e mais abrangente já referida anteriormente. Há ainda quem acredite que este tipo de prática substitui a ação concreta necessária para alcançar um objetivo, quando, na realidade, a tradição espiritual mais equilibrada a entende sempre como um complemento à ação prática, e não como um substituto para ela.

Vela dourada acesa num altar simples, símbolo de proteção e prosperidade espiritual

Quando vale a pena o acompanhamento de um especialista

Para quem sente que a sua situação pede uma intenção mais específica e mais personalizada do que aquela que uma prática caseira consegue oferecer sozinha, o acompanhamento de um especialista pode fazer uma diferença significativa.

Um especialista com experiência em rituais espirituais consegue orientar sobre a combinação mais adequada de cores, momentos e intenções para a situação concreta de cada pessoa, algo que nenhum guia geral, por mais detalhado que seja, consegue oferecer com a mesma precisão. Para quem procura reforçar especificamente a prosperidade e a abundância na sua vida, um ritual de prosperidade conduzido por uma especialista combina o simbolismo da vela com um trabalho energético mais profundo e mais personalizado do que qualquer prática doméstica isolada. Da mesma forma, quem procura reforço de proteção contínua encontra no ritual de proteção um trabalho estruturado, conduzido com o cuidado e a experiência que esta prática específica exige.

Os terapeutas holísticos da plataforma têm formação para acompanhar este tipo de trabalho com a seriedade e o respeito que ele sempre exige, ajudando a combinar esta prática com outras formas de cuidado espiritual, como o banho de ervas para proteção espiritual ou uma limpeza energética do lar, sempre que a situação específica de cada pessoa beneficiar dessa combinação mais ampla. Para quem nunca teve uma consulta desta natureza, o guia sobre como consultar um especialista explica todo o processo do início ao fim.

Conclusão

A vela é, ao mesmo tempo, um dos objetos mais simples e mais acessíveis que existem, e um dos símbolos espirituais mais ricos e mais universais de toda a experiência humana. Acender uma chama com intenção clara, escolher a cor certa para o momento, e respeitar tanto o simbolismo como a segurança prática que este gesto exige, transforma um ato quotidiano numa prática de recolhimento genuíno e de cuidado consigo mesmo. Poucas práticas espirituais são tão acessíveis a qualquer pessoa, independentemente da sua tradição de origem, do seu nível de experiência ou dos recursos que tem disponíveis, e talvez seja precisamente essa simplicidade que explica a sua presença constante ao longo de tantos séculos e de tantas culturas tão distintas entre si.

Seja através de um ritual simples em casa, seja através do acompanhamento de uma especialista para intenções mais específicas e mais profundas, a chama continua a oferecer aquilo que sempre ofereceu ao longo de milénios de prática humana: um ponto de luz, de foco e de presença, num mundo que raramente oferece momentos assim tão simples e tão silenciosos. Talvez seja precisamente nessa simplicidade, e não em qualquer complexidade ritual adicional, que reside o verdadeiro valor desta prática tão antiga e, ainda assim, tão surpreendentemente atual.

 

Gabriela   Gabriela